Dose 1




Em Doses Homeopáticas: 

O fim do mundo e o mundo sem fim

Nasci numa igreja pentecostal dispensacionalista.

Pentecostais são os que acham (a maioria deles) que para ser batizado com o Espírito Santo, a pessoa tem que falar em línguas estranhas.

Dispensacionalistas são aqueles (a grosso modo) que entendem que o plano de salvação de Deus para a humanidade se divide em diferentes dispensações, e em cada uma delas Deus trataria de uma maneira diferenciada.

E irmãos dispensacionalistas são apaixonados por escatologia (doutrina que estuda os acontecimentos das últimas coisas).

Irmãos dispensacionalistas crêem piamente que estamos vivendo os últimos dias antes do suposto arrebatamento da igreja em oculto.

As crianças são criadas nesta expectativa.

Eu mesmo achava que nunca chegaria aos 18 anos... A igreja seria arrebatada antes... (já estou com 39. Nota: Eu estava com 39 anos anos quando escrevi este texto. Hoje tenho 53.)

Os adultos consomem literatura e assinam revistas (Chamada da Meia-Noite, Notícias de Israel,...) que mastigam o assunto a exaustão há mais de 20 anos pela minha contagem.

O mais pitoresco dos pregadores escatológicos foi um da minha infância, eu com mais ou menos 12 anos de idade, e lembro claramente dele a plenos pulmões na sua pregação cujo tema sei decorado até hoje: “O fim do mundo e o mundo sem fim.”

Eu menino impressionado pela sua eloqüência, ouvia “... na Bíblia o número 666 aparece N (não lembro quantas) vezes.... a primeira vez está no livro tal... (a igreja suspirava), a segunda vez está no livro tal... (a igreja vibrava com a memória do pregador), a terceira vez está no livro tal... (ele citava o versículo de memória e a igreja quase não se continha nas quatro paredes.... e no final, e este final eu achava o máximo, enquanto menino, ele disse) “... e a última vez que o 666 está escrito na Bíblia é na página número 666...... (a igreja vibrava... e quem já viveu ou conviveu numa igreja pentecostal, pode imaginar do que eu estou a falar). O barulho era impressionante.

Era um sucesso o tal pregador.

Outra igreja evangélica (omitimos o nome em respeito a estes outros irmãos) já haviam marcado a data da volta de Jesus, e como ele não veio na data os irmãos da minha igreja já escaldados, resolveram não marcar a data para não cair no mesmo erro, resolveram então marcar a década.

Foi lançada a famosa (neste meio) campanha evangelística da “Década da Colheita”, que foi a década de 90.

Por que década da colheita?

Pois a última geração supostamente seria a nascida em 1948 quando a figueira (Israel) tinha brotado, e Jesus disse claramente que não passaria aquela geração (e eles achavam que era esta de 1948 quando para espanto de muitos foi fundado o moderno Estado de Israel) sem que todas as coisas que Jesus predisse no Sermão das Oliveiras se cumprissem.

1948 + 40 anos (o valor de uma geração pelas escrituras) = 1988.

E lá estávamos nós a viver na “última geração”.

Quando o General Moshe Dayan, na Guerra dos Seis Dias, quase que conquista o monte do templo, onde hoje existe uma mesquita, os irmãos dispensacionalistas quase “enfartaram”, pois era chegado o fim dos tempos dos gentios “E Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se complete...”.

Mas... Jesus não veio!

Isto não significa que os irmãos dispensacionlistas desanimaram, muito pelo contrário, estão cada vez mais convictos que agora estamos vivendo num período de atraso pois também temos o texto profético que diz: “... e TARDANDO o noivo, tosquenejaram todas...”.

O relógio de Deus portanto estaria no limite da contagem.... tic-tac, tic-tac, tic-tac…

E agora se fala que o fim do mundo será em 2012 (Nota: Escrevi este texto em 2009.), devido a uma combinação de profecias de Nostradamus com profecias Maias... tudo isto misturado com a expectativa da maioria das igrejas evangélicas de uma suposta volta iminente de Jesus para arrebatar a igreja... e a mensagem de fim de mundo está claramente disseminada…

Os músicos estão afinados no mesmo discurso: Ecologistas, Evangélicos dispensacionalistas, intérpretes de Nostradamus, místicos e crédulos das profecias Maias, Islâmicos crédulos que chegou o tempo profetizado.... todos cantando a mesma ladainha: Estamos vivendo os últimos dias.

No meio teológico, os irmãos dispensacionalistas são chamados, ou melhor apelidados (eles não sabem é claro, pois dispensacionalistas em geral tendem a serem especializados na própria doutrina escatológica e conhecem apenas superficialmente as outras correntes doutrinárias)... são apelidados de “marcadores de datas”.

Pois bem, tudo isto foi dito, pois resolvi em pequenas doses homeopáticas apresentar o meu entendimento, que na realidade não é meu, de como deve ser interpretado o Sermão das Oliveiras, onde Jesus faz uma série de previsões sobre o futuro para os seus discípulos.

Será em dose homeopática, pois vou fazer uma leitura paralela dos textos lentamente para não ser cansativo, o que deverá levar algumas postagens no blog.

Se tiverem paciência em ler, será uma grande aventura para quem gosta do assunto.



O Sermão das Oliveiras
Profecias de Jesus:

Mateus 24

1. E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.

2. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.

Marcos 13

1. E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios!

2. E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada.

Lucas 21

5. E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse:

6. Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada.



Considerações:

Este início do texto profético é bem fácil, a meu ver, pois não há dúvida que Jesus profetiza o que já se cumpriu literalmente quando da destruição de Jerusalém no ano 70.

Os discípulos estavam saindo do Templo que tinha sido reformado por Herodes, e o Templo era lindíssimo, uma verdadeira obra prima, e os discípulos falaram isto para Jesus, e Jesus cortou a animação deles, dizendo que tudo aquilo seria destruído.

E de fato foi.

As palavras proféticas de Jesus dizem respeito de acontecimentos passados e que mostram que Jesus não se enganou em nada nas suas palavras proféticas.

No ano 70, as tropas lideradas pelo exército Romano destruíram do mapa o Templo de Herodes.

Hoje resta apenas uma parede dos alicerces do muro que rodeava o Templo e que é conhecido como o Muro das Lamentações.

Portanto o que Jesus disse SE CUMPRIU SEM FALHAS, ele não mentiu, nem se enganou, não era falso profeta: “Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.”

Se alguém disser que as pedras do Muro das Lamentações não foram derrubadas, atente de que Jesus falava das pedras do Templo, ele não falava das pedras do muro que rodeava o pátio onde no centro estava o Templo construído.

Vamos parar a primeira dose “homeopática” por aqui e como diziam as vinhetas das antigas novelas... “... não perca as cenas dos próximos capítulos...”.

Até lá!

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