Dose 10
Décima Dose:
Para entender totalmente esta reflexão, favor ler antes:
01. Em Doses Homeopáticas: O fim do mundo e o mundo sem fim
02. Segunda Dose: As perguntas que não querem calar
03. Terceira Dose: O primeiro sinal – Falsos cristos
04. Quarta Dose: Guerras, rumores, fomes, pestes e terremotos
05. Quinta Dose: Perseguição da Igreja
06. Sexta Dose: Jerusalém cercada de exércitos
07. Sétima Dose: Fugindo de uma Grande Tribulação Local
08. Oitava Dose: Dias abreviados
09. Nona Dose: Um Deus Vingador
Continuação...
…
O Sermão das Oliveiras
Profecias de Jesus:
Mateus 24
30. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
Marcos 13
26. E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.
Lucas 21
27. E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória.
…
Considerações:
Caifás teve o “privilégio” de conhecer o Senhor Jesus pessoalmente.
Não foi um encontro positivo para Caifás.
Ele era o sumo sacerdote no Templo de Herodes.
O sumo sacerdote era a liderança religiosa máxima do judaísmo.
Caifás ocupou o cargo de 18 até 36 depois de Cristo.
Aproximadamente 18 anos de poder.
“Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram. E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.” João 18.12-14
Mas para a reflexão desta “dose” o que nos interessa é relembrar parte do diálogo que Caifás trocou com Jesus, a saber:
“... O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: EU SOU, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.” Marcos 14.61-62
“... E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digais se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis EM BREVE o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.” Mateus 26.63-64
Algumas coisas me chamam a atenção neste diálogo entre Caifás e Jesus.
Jesus disse que eles veriam duas coisas:
- Jesus assentado à direita do poder de Deus nos céus;
- Jesus vindo nas nuvens do céu.
- Jesus disse que isto seria EM BREVE.
Quando Caifás ouviu Jesus falando desta forma, ele rasgou suas vestes, concluiu que Jesus blasfemava, deixou que seus serviçais socassem o rosto de Jesus, cuspissem nele e lhe dessem bofetadas.
Porque será que Caifás reagiu desta forma?
Não sei o pensamento exato de Caifás, mas vamos especular um pouco sobre eles.
Caifás para ser sumo-sacerdote era exímio conhecedor das escrituras do Velho Testamento, e não gostou nada de Jesus atribuir a si mesmo o nome de Deus.
Jesus estava dizendo literalmente que ele era Deus, quando disse a Caifás: “EU SOU”.
Caifás lembrava muito bem que quando Moisés, apascentando as ovelhas do sogro no deserto, recebeu o chamado para libertar o povo hebreu das mãos de Faraó, Moisés perguntou o nome de Deus... o nome era EU SOU, exatamente o mesmo nome e as mesmas palavras que Jesus agora atribuía a si.
“Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU o que sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.” Êxodo 3.13-14.
Caifás igualmente conhecia muito bem o que significava a figura profética das palavras “vindo sobre as nuvens do céu...”, pois quando Senhor tinha “vindo nas nuvens” para castigar o Egito, esta vinda tinha sido com poder e em vingança (não tinha sido literal pois ninguém viu ninguém vindo nas nuvens sobre o Egito):
“Eis que o Senhor, cavalgando uma nuvem ligeira, vem ao Egito; os ídolos do Egito estremecerão diante dele, e o coração dos egípcios se derreterá dentro deles.” Isaías 19.1
Caifás sabia que quando da destruição de Jerusalém pelos Babilônicos, o Senhor também tinha
profeticamente usado da figura das “nuvens”:
“Como cobriu o Senhor de nuvens na sua ira a filha de Sião! Derrubou do céu à terra a glória de Israel, e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira.” Lamentações 2.1.
Caifás sabia que quando Jeremias profetizou grande destruição sobre Judá, a mesma figura profética de “nuvens” tinha sido utilizada para descrever que exércitos pagãos usados por Deus viriam para castigar o povo pela sua desobediência:
“Eis que virá subindo como nuvens e os seus carros como a tormenta; os seus cavalos serão mais ligeiros do que as águas; ai de nós, que somos assolados!” Jeremias 4.13
Caifás também sabia que o Profeta Naum igualmente tinha usado a figura profética de “nuvens” em poder e glória, para descrever a vinda do Senhor como sendo em vingança e castigo:
“O Senhor é Deus zeloso e vingador; o Senhor é vingador e cheio de furor; o Senhor toma vingança contra os seus adversários, e guarda a ira contra os seus inimigos. O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.” Naum 1.2-3
Era demais para Caifás, sabedor destes textos das escrituras e outros que vinculam a vinda do Senhor para castigar os homens nas suas impiedades, com figuras proféticas como “dias nublados” no profeta Ezequiel, como “dias de nuvens” no profeta Sofonias, como “dias de nuvens e negridão” no profeta Joel, como “nuvem ligeira” no profeta Isaías, como “nuvens” no profeta Jeremias.
Era demais para Caifás que um “profetinha” como Jesus, carpinteiro, nem doutor da Lei era, vindo de uma cidade na época considerada insignificante que era Nazaré, e vinha este “profetinha” e tinha a petulância de dizer a ele o “grande” sumo sacerdote, o representante maior de Deus no Templo de Herodes, e lhe dizer que...
... ele Jesus era o EU SOU, ele Jesus viria em vingança (“nas nuvens”) para castigar Jerusalém, e o PIOR de tudo, que isto se daria em breve?
Caifás gritou, rasgou as roupas, bradou “blasfêmia!”, e foi conivente com os cuspes, bofetadas e ofensas feitas contra Jesus.
Um leitor cuidadoso poderá me dizer que eu esqueci de dizer que Jesus também disse que ele Caifás o veria assentado à direita do poder de Deus nos céus.
De fato a Bíblia não registra nada tipo um “portal” se abrindo e eles vendo Jesus em glória e poder quando da destruição final do Templo.
Flávio Josefo registra o sinal em forma de espada sobre Jerusalém durante todo o cerco, mas para mim é pouco.
Mas mesmo não tendo este registro, não é difícil de aceitar como mais uma profecia cumprida de Jesus, pois todos os cristãos são unânimes e todos concordam que Jesus foi entronizado e se assentou a direita de Deus Pai, depois da ressurreição quando no meio dos discípulos ascendeu aos céus.
E se não temos o registro de Caifás vendo isto quando a vingança se apertou sobre Jerusalém (especulo que Caifás estava bem velhinho e ainda vivo quando da destruição no ano 70), temos o registro que ele Caifás estava presente quando isto de fato ocorreu com Estevão.
“E disse o sumo sacerdote (para Estevão): Porventura é isto assim?” Atos 7.1
“E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele (Estevão).
Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram...” Atos 7.54-58
Se Jesus disse que eles veriam, eu entendo que Caifás e alguns viram sim, como Estevão viu, mas ou interpretaram o fenômeno de outra forma, ou já tinham perdido o controle da multidão, e sua rebeldia e ganância os fez calar.
Tudo cumprido ainda naquela geração dos discípulos.
Em nada Jesus se equivocou.
Caifás que o diga...
Que o digam também aqueles que crucificaram Jesus e que disseram as palavras:
“Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isto. E, respondendo todo o povo, disse: O SEU SANGUE CAIA SOBRE NÓS E SOBRE NOSSOS FILHOS.” Mateus 27.24-25
E foi o que ocorreu literalmente no ano 70, ainda naquela geração.
Todas as tribos da “terra” da Judéia constataram a grande destruição.
Foi também de certa forma uma notícia mundial para a época.
E até hoje existe um Arco de Triunfo em Roma para comemorar tão grande vitória do então General Tito e futuro imperador sobre uma geração incrédula, impiedosa e sanguinária.
Nos relevos do Arco aparecem os elementos do Templo que Tito trouxe como prova da conquista.
Da mesma forma podemos dizer que se cumpriram as palavras de Jesus quando disse:
“Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados.... Eis que a vossa casa vai ficar deserta.” Mateus 23.36-38
Alguém perguntará: Se Jesus “vindo nas nuvens” é figura profética dele vindo em castigo em um dia de sua ira, e que se deu várias vezes no Velho Testamento e para diferentes povos, inclusive no ano 70 para Jerusalém, então isto quer dizer que ele não virá no futuro buscar a sua Igreja?
Resposta: Jesus virá no futuro buscar a sua igreja, mas os textos que falam desta vinda não são estes que estão em Mateus 24 paralelos de antes do verso 34, pois estes acontecimentos, Jesus nos ensina que se dariam ainda naqueles dias já passados.
A vinda do Senhor na Parousia, que é a gloriosa esperança de todo o cristão, se dá por outros textos que falam deste evento como sendo num futuro muito distante.
Em geral quando eu leio um texto da vinda do Senhor como sendo em breve, eu logo penso na sua vinda em vingança no ano 70, dando início ao Reino e eliminando e destruindo os elementos que permitiam a celebração antiga e cerimonial do pacto.
Exemplo: “Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.” Filipenses 4.5
Já quando leio da vinda do Senhor como sendo distante, eu logo penso na vinda do Senhor na Parousia (no fim da história).
Exemplo: “Ora, irmãos, rogamo-vos pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.” 2 Tessalonicenses 2.1-2
Para mim, não há contradição entre perto e longe, apenas falam de eventos diferentes. E “perto” sempre significa “perto”, “longe” significa “longe”, e “em breve” significa “em breve”, e nunca “em breve” significará 2009 anos já passados (escrevi este texto em 2009).
As “doses” estão quase se acabando... até a próxima, se Deus quiser!
