Dose 7
Fugindo de uma Grande Tribulação local
Para entender totalmente esta reflexão, favor ler antes:
01. Em Doses Homeopáticas: O fim do mundo e o mundo sem fim
02. Segunda Dose: As perguntas que não querem calar
03. Terceira Dose: O primeiro sinal – Falsos cristos
04. Quarta Dose: Guerras, rumores, fomes, pestes e terremotos
05. Quinta Dose: Perseguição da Igreja
06. Sexta Dose: Jerusalém cercada de exércitos
Continuação...
…
O Sermão das Oliveiras
Profecias de Jesus:
Mateus 24
16. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;
17. E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa;
18. E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.
19. Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20. E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado;
21. Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.
Marcos 13
14. ... então os que estiverem na Judéia fujam para os montes.
15. E o que estiver sobre o telhado não desça para casa, nem entre a tomar coisa alguma de sua casa.
16. E o que estiver no campo não volte atrás, para tomar as suas vestes.
17. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias!
18. Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno.
19. Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.
Lucas 21
21. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela.
22. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.
23. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! Porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.
…
Considerações:
Nesta série, lembramos, estamos trabalhando sob a perspectiva de que tudo o que Jesus profetiza no capítulo 24 de Mateus, do versículo 1 ao 34, tudo ocorreu naquele mesmo tempo dos discípulos, pois no verso 34 Jesus diz “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”.
Respeitamos os irmãos que pensam diferente.
Discordamos cordialmente deles.
Mas não é esta a proposta desta série.
A proposta é refletir de que existe sim uma explicação escatológica totalmente diferente da versão popular que existe no meio cristão, de que estaríamos vivendo os últimos dias as vésperas de uma Grande Tribulação Mundial, e de que Jesus estaria voltando nestes dias dos idos dos anos 2000.
Cremos na volta do Senhor Jesus, mas discordamos destes irmãos quando afirmam que ele está às portas.
Voltando ao contexto da profecia, Jesus acabou de predizer que os discípulos estariam vivendo uma situação de verem Jerusalém sitiada por exércitos.
E porque entendemos que Jesus está falando ainda do ano 70?
Entendemos assim, pois agora Jesus vai dar uma dica muito importante aos discípulos e à igreja que se iniciava.
Ele vai dar a dica de como eles fugiriam da Grande Tribulação que cairia sobre Jerusalém e que culminaria com a destruição das pedras do Templo.
Fujam!
Fujam! É a receita do Senhor para os discípulos.
E fica claro que o Senhor diz que bastaria fugir para os montes fora da Judéia e não entrar na cidade de Jerusalém.
Se o Senhor estivesse tratando de eventos no futuro (no atual presente) e se o Senhor estivesse falando de uma suposta Grande Tribulação global como alguns irmãos entendem, não haveria porque fugir, mas sim aguardar o arrebatamento, afinal seremos arrebatados onde quer que estejamos, e para onde fugir de uma Grande Tribulação global?
Jesus está falando aos seus discípulos, dando uma dica de escape, para que a igreja iniciante, quando visse os exércitos ao redor de Jerusalém, fugisse para que não fosse morta juntamente com os que ficaram na cidade até o fim aguardando o Messias, como relata Josefo.
E é fácil de se entender e imaginar que os cristãos quando viram Jerusalém com exércitos se aproximando, lembraram das palavras do Senhor e fugiram e salvaram suas vidas.
E é fácil de se entender e imaginar que os cristãos que viram a mesma coisa e não fugiram (talvez por entender que isto seria dali a 2000 anos... hipótese remotíssima para um judeu-cristão do ano 70 imaginar), ficaram na cidade e ou foram mortos, ou foram vendidos como escravos após o final do levante, como relata Josefo sobre o conflito.
Fica fácil notar que se trata de uma Grande Tribulação local quando o Senhor diz “... os que estiverem na Judéia fujam...”.
Assim é igualmente fácil entender que os que estivessem na Gália não precisariam fugir.
Não faria sentido Jesus dizer aos discípulos para que fugissem da Judéia para “Santa Catarina” se a Grande Tribulação fosse global.
Mesmo em “Santa Catarina”, numa suposta Grande Tribulação global, os cristãos seriam encontrados e perseguidos.
Interessante parar por algumas linhas para refletir sobre um assunto periférico que é o sábado.
O Senhor Jesus sabendo que igreja iniciante respeitava a lei, lhes pede que orem para que a fuga não seja no sábado.
Se fosse uma profecia para os dias de hoje, não teria o Senhor Jesus dito que orássemos para que a fuga não fosse no domingo?
Aliás, teria dito ele alguma coisa a respeito, se na realidade os cristãos na sua maioria nem mesmo guardam o domingo como “shabat” (descanso)?
Para aqueles que entendem que o Antigo Testamento foi totalmente abolido pelo Novo Testamento, fica aqui uma dor de cabeça para resolver:
1. Se Jesus está falando daquela época: Fica óbvio que a igreja primitiva ainda no ano 70, guardava o sábado. Jesus não está dando dica de fuga para os judeus, mas sim para os discípulos que lhe perguntaram quando seriam destruídas as pedras do Templo. Se a igreja primitiva guardava o sábado, porque a igreja atual não o guarda? Por que Jesus não os corrigiu quanto ao sábado?
2. Se Jesus está falando de 2000 anos depois: Porque Jesus pede que oremos para que a nossa fuga não seja no sábado, se a maioria das igrejas modernas absolutamente não guarda o sábado, nem mesmo o domingo (enquanto shabat)?
Mas a discussão do sábado fica para uma outra oportunidade...
E finalmente é bom refletir, também como forte argumento de que se tratava de uma Grande Tribulação local e ÚNICA, de que a teoria do duplo acontecimento também é uma interpretação equivocada para este caso.
A teoria do duplo cumprimento da profecia, que muitos irmãos abraçam quando lêem estes versículos, apregoa que a profecia de Jesus se cumpriu naquela época trazendo uma Grande Tribulação local, mas que é um texto profético duplo, que também fala de uma suposta Grande
Tribulação global no futuro.
Não precisamos especular que esta teoria está equivocada, pois Jesus mesmo fala que não será assim, pois ele diz: “Porque haverá então grande aflição, COMO NUNCA HOUVE desde o princípio do mundo até agora, NEM TAMPOUCO HÁ DE HAVER”.
No texto paralelo Jesus diz “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, QUAL NUNCA HOUVE desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, NEM JAMAIS HAVERÁ".
Não há que se falar, portanto, de que estamos perto de uma Grande Tribulação baseado neste texto, pois Jesus contraria tal hipótese.
É muito mais coerente entender que Jesus está falando da destruição de Jerusalém no ano 70, pois está escrito e já lemos que “... Porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo”.
ESTE povo dá idéia clara de proximidade, logo ESTE povo era o povo judeu daqueles dias, e TERRA está falando da Judéia (“... os que estiverem na Judéia, fujam...”).
ESTE povo fala da geração do ano 70, em consonância com o que Jesus diz no capítulo anterior (23 de Mateus) quando diz (a parte em parênteses é grifo meu e não faz parte do texto sagrado):
“Para que sobre vós (a geração que crucificou a Jesus em aproximadamente 33 que foi a geração do ano 70) caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde... Em verdade vos
digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste. Eis que vossa casa vai ficar-vos deserta.” Mateus 23.35-38
Olhando para o conselho de Jesus (FUJAM!) e para as suas palavras proféticas percebemos o seu grande amor pela igreja que se iniciava, e lembramos da sua oração quando diz:
“Pai... Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” João 17.9
Neste caso em específico, Deus desejou que os cristãos sobrevivessem a grande aflição que sobreviria a Jerusalém no ano 70, lhes disse de antemão o que ocorreria e lhes disse o que fazer:
Fujam!
Louvado seja o nosso Senhor.
Ele não é falso profeta.
Ele profetiza e tudo se cumpre exatamente como ele disse.
Até a próxima “dose”.
