Dose 8
Oitava Dose:
Dias abreviados
Para entender totalmente esta reflexão, favor ler antes:
01. Em Doses Homeopáticas: O fim do mundo e o mundo sem fim
02. Segunda Dose: As perguntas que não querem calar
03. Terceira Dose: O primeiro sinal – Falsos cristos
04. Quarta Dose: Guerras, rumores, fomes, pestes e terremotos
05. Quinta Dose: Perseguição da Igreja
06. Sexta Dose: Jerusalém cercada de exércitos
07. Sétima Dose: Fugindo de uma Grande Tribulação Local
Continuação...
…
O Sermão das Oliveiras
Profecias de Jesus:
Mateus 24
22. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos será abreviados aqueles dias.
23. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;
24. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.
25. Vede que vo-lo tenho predito.
26. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa”, não acrediteis.
27. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem.
28. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
Marcos 13
20. Não tivesse o Senhor, abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
21. Então, se alguém vos disser: eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
22. Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos.
23. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.
Lucas 21
Em Lucas, a meu ver, não temos texto em paralelo desta parte revelada em Mateus e Marcos.
…
Considerações:
Relembramos que, nesta série de “doses”, pressupomos que tudo o que Jesus profetiza no capítulo 24 de Mateus, do versículo 1 ao 34, tudo ocorreu naquele mesmo tempo dos discípulos, pois no verso 34 Jesus diz “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas
estas coisas aconteçam.”
Era o verão do ano 70, quando a Décima Legião de Vespasiano chegou nas cercarias de Jerusalém para dar início ao que depois “sem querer” se consumou na sua destruição.
A cidade estava lotada de gente, que fugia da campanha romana que depois de subjugar as cidades e lugarejos periféricos agora se aproximava de Jerusalém para por fim a rebeldia daquele povo.
Um tempo bem difícil se aproximava para os que estavam dentro da cidade…
Dias abreviados, pode a meu ver ser interpretado de duas formas possíveis, e qualquer uma delas é suficiente para mim para saber que Jesus não se equivocou na profecia.
Não sei qual delas é a correta, mas isto pouco importa neste momento, pois ambas dão cenário suficiente para validação da profecia e a minha proposta não é interpretar tudo exatamente como ocorreu, mas mostrar um cenário bíblico de interpretação que faz com que Jesus não entre em contradição com suas palavras ditas no versículo 34 de Mateus 24.
Uma é a que diz que os dias abreviados foram aqueles desde o início dos primeiros sinais, e perseguições, onde cristãos foram perseguidos, queimados, presos, torturados e mortos nas sinagogas por líderes judeus e em diversos lugares pelos líderes romanos, sendo que neste caso os dias precisavam ser abreviados para que os sobreviventes dessem seguimento ao crescimento da igreja e mesmo até uma forma de providência de Deus para que o movimento não viesse a desaparecer.
A outra interpretação diz respeito aos eleitos futuros descendentes diretos do povo judeu, visualizando que no futuro, mesmo o povo judeu aceitaria o Evangelho.
Depois da destruição de Jerusalém, os judeus foram levados como escravos e espalhados pelo Império Romano afora e desta geração de judeus sobreviventes espalhados pelo mundo, Deus no tempo oportuno no futuro chamará muitos para participar do Reino e por causa destes, Deus preserva seus pais no ano 70, e não permite que seja um povo totalmente exterminado, como vários outros daquela mesma época que já não existem mais.
Um texto que mostra que o chamado ao Evangelho se dará fortemente entre os judeus no futuro é o seguinte:
“Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. Porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança.” Isaías 19.24-25
Desta forma entendemos que o Evangelho se alastrará pelo mundo afora, e chegará um dia que mesmo Israel (hoje ainda em grande parte materialista), igualmente o Egito (hoje ainda islâmico), igualmente o Irã (hoje também ainda islâmico) serão enquanto nações na sua maioria absoluta convertidos sobrenaturalmente pelo Espírito Santo e farão parte do Reino (da Igreja invisível).
No restante do texto Jesus enfatiza o surgimento de falsos cristos, mas sobre isto já refletimos na Terceira Dose desta série, mas se pegarmos Josefo como referência, Jesus está meio que dizendo que haveria uma segunda leva de messianismo, e Josefo relata que quanto mais se apertava o cerco, mais surgiam “profetas” e falsos “messias”, e o povo desesperado pelo cerco, pela fome e pela mortandade, os seguia.
Fica apenas a nota de que estes falsos cristos não se tratam dos profetas e formas de “cristos” que surgiram posteriormente na história.
Para refutar a estes, usamos outros textos bíblicos, mas os falsos profetas de que Jesus está falando são os que surgiram antes e durante o cerco a Jerusalém no ano 70, como de fato Flávio Josefo confirma no seu relato histórico sobre o evento.
Importante também relembrar que Jesus declara que a sua vinda em vingança e julgamento sobre aquela geração, seria notória como é notório e visível o aparecimento de um relâmpago no céu.
Da mesma forma que o relâmpago é um fenômeno local, uma vez que um relâmpago que brilha no Canadá, não é visível na Argentina, da mesma forma a vinda notória do Senhor seria vista e notória localmente.
Não sei interpretar exatamente o que Jesus disse no verso 28 de Mateus, mas me parece (me parece – não tenho certeza) também que Jesus chama os falsos cristos de cadáveres seguidos de abutres em abundância, ou seja, basta um falso cristo fazer milagres (e isto vemos também hoje em dia) ou basta um falso pregador supostamente ou mesmo veridicamente realizar milagres e prodígios e logo não faltarão seguidores (os abutres) para lhes darem evidência e testemunho de suposta relevância espiritual.
A melhor lição desta parte é vermos que milagres e prodígios não autenticam a Verdade de Deus.
O diabo pode fazer grandes milagres.
Os feiticeiros do Egito conseguiram (igualmente como Moisés) transformar varas em serpentes.
E a Bíblia mesmo revela que Deus mesmo envia falsos profetas para realizarem prodígios para enganarem e realizarem propósitos que Deus soberano permite que façam.
A parte mais “difícil” desta série, ou a parte que mais gera expectativa desta proposta de interpretação é a que se aproxima, quando Jesus prediz sua vinda nas nuvens com poder e muita glória…
Terá Jesus vindo?
Se ele veio, alguém viu?
Se não veio, Jesus mentiu?
Como que ele pode não ter vindo naquela mesma geração sem se contradizer, quando diz no versículo 34 de Mateus “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.”?
Até a próxima dose!
