Silézia
Silézia
…
Faz muitos anos já…
Que este milagre ocorreu…
As pessoas sem fé…
Não preciso convencer…
Mas as pessoas com fé saberão…
Minha finada avó paterna…
Que já não está entre nós…
Não poderá se defender…
Até porque ela ignora a verdade…
Tadinha…
Que o Redentor a tenha em seu divino colo…
Mas foi com ela que lá em casa aprendemos…
Que “com a Graça de Deus dá…!”
Ninguém sabia porque a noiva, minha Mãe Miquita, estava triste…
Noivas ficam nervosas…
Noivas emagrecem…
Mas triste…?
Ninguém sabia.
Era véspera do casamento…
Faltavam dois dias apenas…
E a tristeza era visível…
E Silézia, sua prima percebeu…
Em confidência então…
Soube o motivo da tristeza…
Não era o vestido…
Não era o noivo…
Não era a iminência do casório.
Eram os frangos, apenas…
Em voz pequena ela chorosa…
Disse pra prima Silézia…
“Já falamos pra ela…”
“Mas não adianta…”
“Ela só diz que com a Graça de Deus dá…”
“Eu estou passando de uma pilha de nervos…”
“Pra tristeza e vergonha…”
Silézia, em silêncio…
Ouvia o desabafo da noiva nervosa…
E a noiva em choro continuava…
Enquanto os alfinetes da costureira…
Faziam os últimos ajustes no alvo vestido…
“São 50 convidados…”
“Já estão chegando…”
“De Florianópolis…”
“De Criciúma…”
“Da Rua do Fogo…”
“Do Capivari…”
“E daqui de Tubarão…”
“E ela quer fazer só 3 frangos…”
“Eu indaguei…”
“O José (o noivo) questionou…”
“E ela irredutível (minha avó)...”
“Só fica repetindo…”
“Com a Graça de Deus dá…”
“E eu desisti…”
“Não quero brigar no dia do meu casamento…”
Silézia que tinha contato…
Foi falar com a que se atribuíra à si “mesmo”...
A responsabilidade do banquete aos convidados…
E a resposta foi a mesma…
“Com a Graça de Deus dá…”
Sem ninguém saber…
Naquelas cidades pequenas do passado…
Isso era possível…
Correu para a sua casa…
E do seu quintal rico e próspero…
Mandou imediatamente a criadagem…
Matar e preparar 10 frangos ensopados…
E encaminhou tudo para a Igreja…
Em cujo salão aos fundos…
Seria o banquete…
E “jurou de morte”...
As cozinheiras que lá estavam…
A serviço de minha avó…
Que nada dissessem para ninguém…
De onde vieram os 10 frangos adicionais…
A noiva tremia…
Mas ao altar se encaminhou…
E aquele casal que daria origem a minha existência…
Se uniu pra sempre..
Todos os cinquenta convidados…
Se encaminharam para o pequeno salão de festa…
E lá foi servido…
Arroz…
Salada…
Suco de fruta natural…
Farinha azeda da região…
E frango ensopado…
Dizem…
Eu não sei se é verdade…
Que somente alguns grupos riam de forma estranha…
A noiva incrédula com a multiplicação do frango…
A minha avó, piedosa fervorosa, crédula, também com a multiplicação do frango…
A Silézia, que muda, pra ninguém contara sua arte…
E as cozinheiras que tudo observando, e fiéis ao voto de silêncio, riam discretamente quando minha avó orgulhosa e muito feliz lhes disse…
“Eu falei… com a Graça de Deus dá…”.
Tudo correu bem…
Daquela união…
Nasceu o José Júnior…
A Sara…
Eu…
A Júlia…
O Vinícius…
O Tiago…
E talvez venham muitos outros ainda no futuro…
Minha avó partiu para o Paraíso sem nunca saber…
Que na verdade não houvera…
A multiplicação do “frango” como ela ficou crendo que ocorrera…
Silézia contou depois para a minha Mãe Miquita, toda a verdade…
E ela pra nós no tempo que ficamos maiores…
Agora se você não acredita em milagre…
O problema é seu…
Mas nós aqui em casa…
Sabemos que “com a Graça de Deus dá…”
E foi assim que lá em casa…
Todos nós ficamos sabendo o nome…
Sim…
Ficamos sabendo o nome…
O nome da “Graça de Deus”...
E o nome é Silézia…
Faz muitos anos já…
Que este milagre ocorreu…
As pessoas sem fé…
Não preciso convencer…
Mas as pessoas com fé saberão…
Minha finada avó paterna…
Que já não está entre nós…
Não poderá se defender…
Até porque ela ignora a verdade…
Tadinha…
Que o Redentor a tenha em seu divino colo…
Mas foi com ela que lá em casa aprendemos…
Que “com a Graça de Deus dá…!”
Ninguém sabia porque a noiva, minha Mãe Miquita, estava triste…
Noivas ficam nervosas…
Noivas emagrecem…
Mas triste…?
Ninguém sabia.
Era véspera do casamento…
Faltavam dois dias apenas…
E a tristeza era visível…
E Silézia, sua prima percebeu…
Em confidência então…
Soube o motivo da tristeza…
Não era o vestido…
Não era o noivo…
Não era a iminência do casório.
Eram os frangos, apenas…
Em voz pequena ela chorosa…
Disse pra prima Silézia…
“Já falamos pra ela…”
“Mas não adianta…”
“Ela só diz que com a Graça de Deus dá…”
“Eu estou passando de uma pilha de nervos…”
“Pra tristeza e vergonha…”
Silézia, em silêncio…
Ouvia o desabafo da noiva nervosa…
E a noiva em choro continuava…
Enquanto os alfinetes da costureira…
Faziam os últimos ajustes no alvo vestido…
“São 50 convidados…”
“Já estão chegando…”
“De Florianópolis…”
“De Criciúma…”
“Da Rua do Fogo…”
“Do Capivari…”
“E daqui de Tubarão…”
“E ela quer fazer só 3 frangos…”
“Eu indaguei…”
“O José (o noivo) questionou…”
“E ela irredutível (minha avó)...”
“Só fica repetindo…”
“Com a Graça de Deus dá…”
“E eu desisti…”
“Não quero brigar no dia do meu casamento…”
Silézia que tinha contato…
Foi falar com a que se atribuíra à si “mesmo”...
A responsabilidade do banquete aos convidados…
E a resposta foi a mesma…
“Com a Graça de Deus dá…”
Sem ninguém saber…
Naquelas cidades pequenas do passado…
Isso era possível…
Correu para a sua casa…
E do seu quintal rico e próspero…
Mandou imediatamente a criadagem…
Matar e preparar 10 frangos ensopados…
E encaminhou tudo para a Igreja…
Em cujo salão aos fundos…
Seria o banquete…
E “jurou de morte”...
As cozinheiras que lá estavam…
A serviço de minha avó…
Que nada dissessem para ninguém…
De onde vieram os 10 frangos adicionais…
A noiva tremia…
Mas ao altar se encaminhou…
E aquele casal que daria origem a minha existência…
Se uniu pra sempre..
Todos os cinquenta convidados…
Se encaminharam para o pequeno salão de festa…
E lá foi servido…
Arroz…
Salada…
Suco de fruta natural…
Farinha azeda da região…
E frango ensopado…
Dizem…
Eu não sei se é verdade…
Que somente alguns grupos riam de forma estranha…
A noiva incrédula com a multiplicação do frango…
A minha avó, piedosa fervorosa, crédula, também com a multiplicação do frango…
A Silézia, que muda, pra ninguém contara sua arte…
E as cozinheiras que tudo observando, e fiéis ao voto de silêncio, riam discretamente quando minha avó orgulhosa e muito feliz lhes disse…
“Eu falei… com a Graça de Deus dá…”.
Tudo correu bem…
Daquela união…
Nasceu o José Júnior…
A Sara…
Eu…
A Júlia…
O Vinícius…
O Tiago…
E talvez venham muitos outros ainda no futuro…
Minha avó partiu para o Paraíso sem nunca saber…
Que na verdade não houvera…
A multiplicação do “frango” como ela ficou crendo que ocorrera…
Silézia contou depois para a minha Mãe Miquita, toda a verdade…
E ela pra nós no tempo que ficamos maiores…
Agora se você não acredita em milagre…
O problema é seu…
Mas nós aqui em casa…
Sabemos que “com a Graça de Deus dá…”
E foi assim que lá em casa…
Todos nós ficamos sabendo o nome…
Sim…
Ficamos sabendo o nome…
O nome da “Graça de Deus”...
E o nome é Silézia…
