A conversão da tesoura
Relembrando...
A conversão da tesoura
...
Faz muitos anos.
Sim.
Muitos anos já se passaram.
Meu pai José na época tinha uns 30 anos.
Hoje ele tem 86 (Quando eu escrevi este texto).
Mas ele desde jovem desejou ser Pastor.
Então o pastor de sua igreja percebendo este interesse e vocação de meu pai, o colocou como dirigente de uma congregação de irmãos que moravam numa localização chamada Morrotes.
E lá foi ele ser dirigente daquela pequena comunidade.
Era uma daquelas igrejas onde se orava voz alta o suficiente para ser ouvida, mas baixa o suficiente para não atrapalhar as orações dos outros.
Os fiéis, todos naquela época pessoas muito simples e pobres.
Caminhavam para a igreja com as Bíblias debaixo dos braços, e eram nas ruas xingados.
Eram xingados de "Aleluias".
Na igreja se ouvia eles cantarem.
As letras das músicas irritavam os que ouviam de coração duro, e abençoavam os que de coração aberto, cantavam para o Pai Celeste.
Na pregação, meu pai pregava com autoridade, e os irmãos todos do menor letrado ao mais idoso, todos de Bíblia aberta, conferiam as passagens citadas para verificar se ele o pregador não falava mentiras.
Era uma igreja sem neon, sem jogos de luzes, sem guitarra, sem bateria, sem rock gospel, apenas aqui e ali um violão e um acordeão, quando tinha.
Ao se entrar, estavam todos de joelhos orando e esperando o culto começar.
Se ouvia um burburinho da oração baixa e individual que todos faziam.
Aquele burburinho fazia tremer as pernas de qualquer pecador que ali passasse ou entrasse, e mesmo fazia tremer a perna dos crentes que ali congregavam.
Um dia meu pai iniciou mais um culto como qualquer outro.
E lá na porta entrou um homem mal encarado e sentou no último banco.
Meu pai continuou a pregar o Evangelho e a Jesus Cristo nosso Salvador, e na metade da pregação o elemento mal encarado se levantou e sentou na metade da igreja.
Todos arregalados e assustados perceberam o movimento do malfeitor mas ninguém disse um pio.
Era uma igreja que tinha o hábito de fazer convites ao final da pregação e convidar os presentes que ainda não tinham feito, de que recebecem a Jesus pela fé em seus corações.
Ao dizer amém, o bandido se levantou e veio caminhando até meu que pai que estava atrás de uma mesa que fazia a função de um púlpito.
O bandido então, num movimento brusco retira uma tesoura do bolso, coloca na mesa com estrondo e diz alto...
O povo com o coração na mão assustado.
Então ele diz olhando com ira nos olhos de meu pai...:
"Hoje eu vim aqui com esta arma para te matar, mas uma força que eu não sei qual é me impede, fica com essa tesoura!"
E dizendo isso saiu rapidamente da igreja e nunca mais foi visto.
...
Eu desde menino cresci vendo esta tesoura lá em casa.
Minha mãe sempre foi costureira.
E se apaixonou por ela.
Me pai deu muitas tesouras para a minha mãe.
Mas ela sempre estava com aquela que ela achava predileta para pespontar, cortar etc.
Era preta, de tanto pegarmos nela, o "cromado" tinha escurecido.
Eu mesmo a usei para muitos trabalhos escolares de menino.
Convertida em uma tesoura de vida, agora não era mais usada para intentos de morte.
Muito trabalhou por nós e por nós amada e predileta também.
Convertida, instrumento do bem entre nós, "viveu" conosco até a aposentadoria de minha mãe, que tinha o hábito de a ter na bolsa.
Mas aqui se faz, aqui se paga.
Um dia minha mãe totalmente desligada, se apresentou no aeroporto, e revistada, a tesoura foi aprendida.
Não sabemos mais seu paradeiro.
Deixou saudades.
Mas ela nos ensinou a certeza de que quando o diabo quer nos matar, existe um Pai Celeste que nos protege.
E mesmo que Ele permita que morramos, ao abrir os olhos no porvir, a primeira imagem que vemos, é Jesus, nos recebendo de braços abertos para estarmos com Ele pra sempre, sem mais choro, sem mais tristeza e sem mais sofrimento.
...
"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum..."
Salmos 23:4
...
PS (Escrito após a publicação do texto):
A conversão da tesoura
...
Faz muitos anos.
Sim.
Muitos anos já se passaram.
Meu pai José na época tinha uns 30 anos.
Hoje ele tem 86 (Quando eu escrevi este texto).
Mas ele desde jovem desejou ser Pastor.
Então o pastor de sua igreja percebendo este interesse e vocação de meu pai, o colocou como dirigente de uma congregação de irmãos que moravam numa localização chamada Morrotes.
E lá foi ele ser dirigente daquela pequena comunidade.
Era uma daquelas igrejas onde se orava voz alta o suficiente para ser ouvida, mas baixa o suficiente para não atrapalhar as orações dos outros.
Os fiéis, todos naquela época pessoas muito simples e pobres.
Caminhavam para a igreja com as Bíblias debaixo dos braços, e eram nas ruas xingados.
Eram xingados de "Aleluias".
Na igreja se ouvia eles cantarem.
As letras das músicas irritavam os que ouviam de coração duro, e abençoavam os que de coração aberto, cantavam para o Pai Celeste.
Na pregação, meu pai pregava com autoridade, e os irmãos todos do menor letrado ao mais idoso, todos de Bíblia aberta, conferiam as passagens citadas para verificar se ele o pregador não falava mentiras.
Era uma igreja sem neon, sem jogos de luzes, sem guitarra, sem bateria, sem rock gospel, apenas aqui e ali um violão e um acordeão, quando tinha.
Ao se entrar, estavam todos de joelhos orando e esperando o culto começar.
Se ouvia um burburinho da oração baixa e individual que todos faziam.
Aquele burburinho fazia tremer as pernas de qualquer pecador que ali passasse ou entrasse, e mesmo fazia tremer a perna dos crentes que ali congregavam.
Um dia meu pai iniciou mais um culto como qualquer outro.
E lá na porta entrou um homem mal encarado e sentou no último banco.
Meu pai continuou a pregar o Evangelho e a Jesus Cristo nosso Salvador, e na metade da pregação o elemento mal encarado se levantou e sentou na metade da igreja.
Todos arregalados e assustados perceberam o movimento do malfeitor mas ninguém disse um pio.
Era uma igreja que tinha o hábito de fazer convites ao final da pregação e convidar os presentes que ainda não tinham feito, de que recebecem a Jesus pela fé em seus corações.
Ao dizer amém, o bandido se levantou e veio caminhando até meu que pai que estava atrás de uma mesa que fazia a função de um púlpito.
O bandido então, num movimento brusco retira uma tesoura do bolso, coloca na mesa com estrondo e diz alto...
O povo com o coração na mão assustado.
Então ele diz olhando com ira nos olhos de meu pai...:
"Hoje eu vim aqui com esta arma para te matar, mas uma força que eu não sei qual é me impede, fica com essa tesoura!"
E dizendo isso saiu rapidamente da igreja e nunca mais foi visto.
...
Eu desde menino cresci vendo esta tesoura lá em casa.
Minha mãe sempre foi costureira.
E se apaixonou por ela.
Me pai deu muitas tesouras para a minha mãe.
Mas ela sempre estava com aquela que ela achava predileta para pespontar, cortar etc.
Era preta, de tanto pegarmos nela, o "cromado" tinha escurecido.
Eu mesmo a usei para muitos trabalhos escolares de menino.
Convertida em uma tesoura de vida, agora não era mais usada para intentos de morte.
Muito trabalhou por nós e por nós amada e predileta também.
Convertida, instrumento do bem entre nós, "viveu" conosco até a aposentadoria de minha mãe, que tinha o hábito de a ter na bolsa.
Mas aqui se faz, aqui se paga.
Um dia minha mãe totalmente desligada, se apresentou no aeroporto, e revistada, a tesoura foi aprendida.
Não sabemos mais seu paradeiro.
Deixou saudades.
Mas ela nos ensinou a certeza de que quando o diabo quer nos matar, existe um Pai Celeste que nos protege.
E mesmo que Ele permita que morramos, ao abrir os olhos no porvir, a primeira imagem que vemos, é Jesus, nos recebendo de braços abertos para estarmos com Ele pra sempre, sem mais choro, sem mais tristeza e sem mais sofrimento.
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"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum..."
Salmos 23:4
...
PS (Escrito após a publicação do texto):
1 Quando eu escrevi esta história, aconteceu de no dia seguinte, eu estar na casa de meu Pai José para almoçar.
2 Do outro lado da mesa meu Pai José me olhava em silêncio, parecia que tinha dúvida se me falava ou não.
3 Num dado momento do nada ele me disse que a minha história estava errada.
4 "Errada Pai...?" Eu disse com a boca, mas com o coração feliz da vida em saber que ele tinha lido meu texto.
5 Ele se levanta e vai até ao lado da sala de estar onde ficavam os apetrechos de costura de minha Mãe, pega um objeto e vem até mim.
6 Chegando à mesa onde eu na cabeceira oposta sempre costumava me assentar de frente para ele, ele coloca a tesoura de cabo vermelho na minha frente (também uma antiga tesoura íntima minha) e diz...
7 "Esta é a tesoura que me foi entregue pelo malfeitor naquela noite".
8 Eu arregalei os olhos, ali estava ela a maldita abençoada. Ali estava a convertida.
9 Haviam três tesouras antigas da minha Mãe Miquita que eu amava, a grande e grossa usada para cortar tecidos grossos, a média de cabo vermelho, que usávamos para tecidos e cortes mais suaves, e a fina pequena pretinha para detalhes, que era a predileta da minha Mãe e que foi apreendida no aeroporto.
10 Eu havia confundido as histórias desde menino e nunca haviam me corrigido.
11 Lá está ela, agora mesmo, lá na casa da minha Mãe Miquita, a prova de que o Pai Celeste protege os seus quando assim o apraz.
12 Mas eu já havia enviado a história para muitas pessoas e não podia mais "desenviar", então prometi ao Pai José que faria um anexo pós-escrito, caso eu publicasse a história novamente, afinal se os dados não tinham sido precisos por erro meu, a essência da história era a mesma...
13 A saber: Podemos ficar tranquilos e confiantes, o Pai Celeste protege os seus, até mesmo da morte.
14 E mesmo que existam situações onde Ele aparentemente parece que não protege, a Sua proteção e o Seu cuidado para conosco nunca é relapso e sempre esteve presente.
...
"Levanto a minha cabeça e observo com medo os horrores e a insegurança deste mundo, e pergunto para mim "De onde me virá o socorro...?
A minha alma então se acalma pois sei dentro de mim, que o meu socorro vem do Pai Celeste que fez os céus e a terra.
Ele não permitirá que eu saia debaixo da sua tutela e proteção.
É absolutamente certo que o Pai Celeste não cochila enquanto guarda você.
Ele pessoalmente é quem cuida de você.
Ele é como uma sombra à tua direita.
Os eventos do dia não te farão mal.
Os terrores da noite não te alcançarão.
Ele guardará você de todo mal; guardará a tua alma.
Ele guardará os teus caminhos de ir e vir.
Desde agora e para sempre!
Amém."
Salmos 121
2 Do outro lado da mesa meu Pai José me olhava em silêncio, parecia que tinha dúvida se me falava ou não.
3 Num dado momento do nada ele me disse que a minha história estava errada.
4 "Errada Pai...?" Eu disse com a boca, mas com o coração feliz da vida em saber que ele tinha lido meu texto.
5 Ele se levanta e vai até ao lado da sala de estar onde ficavam os apetrechos de costura de minha Mãe, pega um objeto e vem até mim.
6 Chegando à mesa onde eu na cabeceira oposta sempre costumava me assentar de frente para ele, ele coloca a tesoura de cabo vermelho na minha frente (também uma antiga tesoura íntima minha) e diz...
7 "Esta é a tesoura que me foi entregue pelo malfeitor naquela noite".
8 Eu arregalei os olhos, ali estava ela a maldita abençoada. Ali estava a convertida.
9 Haviam três tesouras antigas da minha Mãe Miquita que eu amava, a grande e grossa usada para cortar tecidos grossos, a média de cabo vermelho, que usávamos para tecidos e cortes mais suaves, e a fina pequena pretinha para detalhes, que era a predileta da minha Mãe e que foi apreendida no aeroporto.
10 Eu havia confundido as histórias desde menino e nunca haviam me corrigido.
11 Lá está ela, agora mesmo, lá na casa da minha Mãe Miquita, a prova de que o Pai Celeste protege os seus quando assim o apraz.
12 Mas eu já havia enviado a história para muitas pessoas e não podia mais "desenviar", então prometi ao Pai José que faria um anexo pós-escrito, caso eu publicasse a história novamente, afinal se os dados não tinham sido precisos por erro meu, a essência da história era a mesma...
13 A saber: Podemos ficar tranquilos e confiantes, o Pai Celeste protege os seus, até mesmo da morte.
14 E mesmo que existam situações onde Ele aparentemente parece que não protege, a Sua proteção e o Seu cuidado para conosco nunca é relapso e sempre esteve presente.
...
"Levanto a minha cabeça e observo com medo os horrores e a insegurança deste mundo, e pergunto para mim "De onde me virá o socorro...?
A minha alma então se acalma pois sei dentro de mim, que o meu socorro vem do Pai Celeste que fez os céus e a terra.
Ele não permitirá que eu saia debaixo da sua tutela e proteção.
É absolutamente certo que o Pai Celeste não cochila enquanto guarda você.
Ele pessoalmente é quem cuida de você.
Ele é como uma sombra à tua direita.
Os eventos do dia não te farão mal.
Os terrores da noite não te alcançarão.
Ele guardará você de todo mal; guardará a tua alma.
Ele guardará os teus caminhos de ir e vir.
Desde agora e para sempre!
Amém."
Salmos 121
