Bolinhos de banana

Bolinhos de Banana

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PRELÚDIO...

Uma pessoa fraterna da família que sempre se hospeda conosco, sofre já de longa data de hemorróidas.

Que ninguém sofra deste horrível padecimento.

Minha Mãe, sempre uma acolhedora de primeira grandeza, separou para esta pessoa, bacias, onde é feito um tratamento de lavagem da hemorróida para aliviar a dor e o mal estar.

Dito isto...

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ATO...

A Igreja era próxima da nossa casa...

As pessoas silenciosas vinham conversando entre si em pequenos grupos...

Lentamente conversando com tristeza...

Mas também com esperança na eternidade...

Algumas pessoas falavam...
Outros diziam...
Outras murmuravam...
Outros exprimiam desejos...

"Como tinha sido linda a cerimônia..."
"Como tinha sido quente a cerimônia..."
"Como tinha sido demorada a cerimônia..."
"Eu quero que comigo seja assim, de ataúde fechado, também não quero que ninguém me veja morto..."

E assim os murmurinhos iam se perdendo na noite enquanto aqueles corações tristes pela partida do finado, compartilhavam entre si as impressões da cerimônia que tinha se encerrado, ali naquela pequena e linda Igrejinha das proximidades da casa.

Aos poucos foram chegando na casa de minha Mãe, e se assentando ao redor da mesa e logo também aos arredores da mesa em sofás e onde mais fosse possível.

E as conversas giravam num assunto só, a partida do agora saudoso, que a todos "olhava" a partir de um retrato grande dele que havia na parede ao lado.

Então minhas primas, mulheres notáveis, preocupadas com o abatimento emocional de minha Mãe, prontamente assumiram a cozinha e saíram procurando ingredientes, panelas, pratos e outros utensílios para dar alimento para aquela "multidão" triste que se acumulava no recinto.

Em pouco tempo a mesa estava farta com refrigerantes, cafés e bolinhos de banana com canela, sem canela para os chatos para comer, sem banana com canela, e só bolinho sem canela.

Não sei se por causa da tristeza, da explosão de emoções que a cerimônia e últimos dias tinham afetado a todos, uns mais outros menos...

O fato é que todos famintos devoraram aquelas deliciosas quitutes.

E saciados parece que a tristeza de cada um foi diminuída pelo menos um pouquinho.

Minhas primas serenas, sorridentes, felizes por de alguma forma contribuir para aquele triste momento da família.

Nisso por último, de carro, chega minha Mãe desfalecida de tristeza, olhando para o vazio, andando insegura entra no recinto, e ninguém sabe porque entra na cozinha e olha para a pia ainda não lavada com a louça que se acumulava...

Posso ser impreciso nos fatos, pois estava ainda devorando alguns bolinhos com canela que sobraram na mesa...

Então minha Mãe olha para as panelas e para três bacias que estavam sujas na pia e pergunta...

"Porque vocês estão usando estas bacias...?"

Minhas primas explicam felizes que usaram o que acharam, e as tinham achado perfeitas para amassar a massa dos bolinhos que foram depois fritos.

Minha Mãe arregala os olhos tristes e chorosos e diz...

"Mas essas bacias são as que eu uso para o fulano lavar e fazer tratamento de hemorróidas, sempre que se hospeda aqui..."

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EPÍLOGO...

Paro aqui, por vergonha...

Dizem as más linguas que um tio meu comeu 10 bolinhos de hemorróidas.

Os demais um a um estão negando até que comeram.

Eu... Perdi a conta de tantos bolinhos que eu comi.

Primas miseráveis!

Eu sempre soube que não se pode confiar em parente.

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