Que falta faz...!
Pai José…
…
Que falta faz!
Ele era o marido companheiro da Mãe Miquita…
Era um silêncio bem presente…
Era uma âncora moral…
Uma palavra de sabedoria…
Era para onde se corria quando a esperança desvanecia…
Ele era um exemplo de fé…
Com ele aprendi a suportar o dano…
A sofrer o prejuízo calado…
A passar por idiota sem perder a fé…
A confiar que para tudo existe um propósito…
Com ele aprendi a ler as Escrituras…
Aprendi a amar as Escrituras…
Que falta faz o Pai José…
Falta como referência, marido, amigo, pai, avô, irmão em Cristo, Pastor, orador, e muitas coisas mais…
Aprendi a tocar clarinete por causa dele…
Ainda tenho o clarinete de madeira clássica que ele com muito sacrifício me deu…
Dele herdei uma boquilha de aço que ele mesmo fez e que ele mesmo adaptou para a sua embocadura…
Faz falta…
Muita falta…!
Me pego durante o dia lembrando de coisas que ele me disse…
Do tom da sua maravilhosa voz…
Voz máscula, voz de quem tem autoridade…
Fecho os meus olhos e ouço ele me abençoando… “Nataaann…!”
Nas últimas semanas estivemos juntos por muito tempo…
Conversamos sobre segredos de Pai para Filho…
Passei a mão em sua barba várias vezes…
E ainda sinto a textura…
Na sua última noite fiz massagens por todo o seu corpo devido às dores que ele tinha…
Dei banho nele quase todos os seus últimos dias…
Passei escova no seu cabelo para trás após os banhos e quando os via espalhados…
Na madrugada anterior à sua morte não dormimos…
Ele me pediu para ouvir a Serenata de Shubert…
Coloquei um dos meus fones de ouvido nele e ouvimos juntos…
Quando a música acabou ele pediu para colocar de novo…
Mas ele chorou mesmo foi quando ouviu em seguida a música “Asas da Alva” do Grupo Prisma…
Discretamente eu o deixei chorar…
E ele o fez quando a letra dizia “Se habitar nos extremos do mar, até ali a Tua mão me guiará…”
Que falta faz o Pai José…!
Muita falta!
Antes eu tinha para quem correr quando eu estava triste e angustiado…
Agora parece que fiquei sem opção…
Não tenho mais intermediários…
Sou obrigado a me isolar e falar com o Pai Celeste…
O Pai Celeste é bom sem dúvida…
Mas ele nunca me deu o privilégio de falar comigo audivelmente…
Com o Pai José tudo parecia mais fácil…
É um desabafo bobo eu sei…
Mas que falta faz o Pai José.
Muita falta!
Muita, mas muita falta.
